Visão do CEO

Sua empresa está preparada para lidar com divergências culturais? Entenda como a cultura pessoal influência na cultura empresarial

Por EDC Group | Publicado em 07/12/2022
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Estamos vivendo na segunda era da globalização, que inicialmente, demonstrou suas primeiras características nos anos 80, quando houve uma intensificação significativa dos processos de comunicação. Atualmente, podemos afirmar que essa configuração de mundo com certeza traz inúmeras vantagens. Durante a pandemia, por exemplo, as ferramentas tecnológicas impulsionaram as interações globais. Com isso, a contratação de funcionários de diferentes países para o time de uma mesma empresa, por exemplo, passou a ser algo mais comum no mercado.

Entretanto, você já parou para pensar sobre os desafios de unir em um mesmo squad pessoas de diferentes nacionalidades e com diversas culturas e hábitos que podem ser conflitantes em diversos momentos?

As diferenças que podemos observar são muitas, tais como divergências culturais, de etiqueta e linguagem. Esse conjunto de hábitos e preferências moldados pela cultura é o que dita a forma como os colaboradores enxergam o trabalho. Na Suíça, por exemplo, o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é uma prioridade. Enquanto no Brasil é comum fazermos horas extras e nos envolvermos em atribuições que transcendem o nosso escopo contratual de trabalho. Já no Japão, o conceito de workaholic é levado bem a sério, e é comum que os trabalhadores coloquem o trabalho enquanto o centro de suas vidas, tornando comum exceder a jornada de trabalho e deixar tópicos da vida pessoal em segundo plano.

Agora imagine unir esses funcionários de diferentes países e culturas de trabalho em um regime corporativo pouco flexível, é provável que todas as partes saiam frustradas dessa relação, já que cada um carrega consigo um ideal inconsciente de trabalho, produtividade e equilíbrio. Se na sua empresa as horas extras forem algo comum, o funcionário japonês com certeza se adaptará bem, entretanto, colaboradores da Suíça ou Alemanha podem se sentir sobrecarregados.

Para além do comportamento dos funcionários, as configurações internas culturais das empresas também mudam. É por meio desses padrões comportamentais que os moldes de trabalho são montados e para isso, a forma como as pessoas se relacionam e enxergam o trabalho precisam ser consideradas na construção da cultura organizacional da empresa.

De acordo com alguns estudos disponíveis, diferentes culturas influenciam ativamente na forma como as organizações se estruturam e em como os funcionários enxergam o papel do líder na empresa. Por vezes, tendemos a negligenciar a linguagem e a cultura de uma empresa por desvalorizar ou desconhecer a cultura do país de origem no negócio, o que é uma prática bastante comum no Brasil, por exemplo.

Além disso, não é incomum escutarmos comentários sobre as estranhezas geradas pela interação entre diferentes posturas no ambiente empresarial. Frases como ‘’a empresa em que eu trabalho tem matriz na Alemanha, então aqui os processos são bem rígidos", "meu chefe da sede americana gosta de respostas rápidas e muita agilidade na resolução de problemas" demonstram essas divergências.

O livro “The Culture Map: breaking through the invisible bounderies of global business”, da professora Erin Meyer, da INSEAD Business School, expõe justamente esses diferentes aspectos das diversas culturas no ambiente de trabalho. Na obra, a autora cita como as empresas de cultura americana, por exemplo, tendem a contar com políticas mais igualitárias, encorajando seus colaboradores a questionarem seus superiores com novas ideias, inclusive, priorizando a autonomia de seus funcionários na tomada de decisão, em busca de agilidade e resultados mais assertivos.

Em contrapartida, existe o outro lado dessa moeda. Recentemente, tivemos no Brasil um caso que ilustra bem esse ponto. Durante o processo de instalação da fábrica da Chery, empresa chinesa, os chineses enfrentaram muitas dificuldades em lidar com a cultura brasileira no ambiente de trabalho. Já que na China, os funcionários não entendem como parte de seu trabalho dar ideias e sugestões aos seus líderes, agindo de forma mais mecânica. Diferente da cultura brasileira, que é comum buscar soluções diferentes do manual para solucionar questões simples de maneira mais autônoma no trabalho.

Diante dessa importante influência da cultura na forma como nos relacionamos com o trabalho, fazemos negócios e lideramos equipes, é indispensável compreendermos a necessidade de levarmos em consideração esses pontos na hora de propormos culturas organizacionais, de forma que as regras e termos sejam flexíveis e adaptáveis para colaboradores que não estão ambientados com muitas normas que dizem respeito somente ao país de origem da companhia.

Cabe também aos funcionários estarem mais abertos às divergências culturais, de forma que seja possível mesclar características e costurar um ambiente mais saudável para ambos os lados. Com a difusão da modalidade de trabalho nômade, esse processo de adaptação tende a ganhar força nos próximos anos, favorecendo os trabalhadores e as empresas.

A união de diferentes culturas com certeza promove um ambiente muito mais rico para as companhias, a aceleração dessa interação global precisa ser vista enquanto uma vantagem que demanda cuidados para garantir que todos sintam-se acolhidos. No próximo mês, analisaremos essa questão sob uma nova ótica. Afinal, a tendência é que cada vez mais tenhamos que estreitar essas divergências culturais, a fim de garantir uma sociedade mais conectada e aberta.

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O que é Literacia de dados no RH? Transforme People Analytics em Ação Estratégica

Toda área de RH hoje coleta dados.Os números estão nas planilhas, nos sistemas e, muitas vezes, em dashboards bonitos. O problema é que ter dados não é o mesmo que usar esses dados. Existe um abismo real entre coletar uma métrica e conseguir interpretá-la de forma a embasar uma decisão de negócio.
Neste artigo será refletido esse abismo que a literacia de dados no RH se propõe a fechar: a capacidade de ler um número, entender o que ele diz sobre a organização e transformar essa leitura em ação estratégica.

O que é literacia de dados no RH

Literacia de dados não significa virar analista ou dominar estatística avançada. Significa desenvolver a capacidade de fazer as perguntas certas diante de um número: por que esse índice subiu? Ele está relacionado a outro fator? O que ele representa para o negócio, e não apenas para o RH. Times de RH com literacia de dados param de tratar métricas como relatórios de prestação de contas e passam a tratá-las como pontos de partida para investigação e até  mudanças necessárias.

Do dado à hipótese: como interpretar métricas

Um número isolado raramente conta a história completa. Um aumento no turnover, por exemplo, pode ter várias origens: liderança, remuneração, carga de trabalho, falta de perspectiva de crescimento. O passo seguinte à coleta é a formulação de hipóteses testáveis. Em vez de apresentar "o turnover subiu 8% no trimestre", a pergunta estratégica é: "essa alta está concentrada em qual área, qual liderança, qual faixa de tempo de casa?" Cruzar turnover com eNPS e absenteísmo, por área e por gestor, costuma revelar padrões que uma métrica sozinha é difícil de ser compreensiva de primeira vista.

Construindo dashboards operacionais que fazem sentido

Um dashboard eficiente não é aquele com mais gráficos ou aparentemente bonito, mas aquele que responde às perguntas corretas com rapidez. Vale seguir três princípios simples: 

  •  Definir poucos indicadores-chave por painel  sempre ligados a uma decisão possível;
  • Segmentar os dados por área, liderança e senioridade, para permitir comparações; 
  • Manter a atualização periódica, para que o painel reflita a realidade operacional, não um retrato antigo. 


Dashboards operacionais bem construídos servem ao gestor de RH no dia a dia, permitindo agir antes que um problema se torne crise.

Apresentando relatórios com impacto no board executivo

O board não quer ver todos os números que o RH acompanha, quer entender o que esses números significam para o negócio. Isso exige tradução: transformar taxa de absenteísmo em impacto sobre produtividade e custo operacional, transformar eNPS em risco de retenção de talentos-chave, transformar turnover em custo de reposição. Relatórios com impacto seguem uma estrutura simples: contexto do problema, dado que sustenta a hipótese, recomendação de ação e resultado esperado. Com menos slides e mais clareza.

Na EDC Group, entendemos que essas práticas deixaram de ser um diferencial e passaram a ser parte essencial da atuação estratégica do RH. Acreditamos que investir em literacia de dados é o caminho para que a área conquiste um lugar mais relevante nas discussões de negócio, com relatórios que geram decisões, não apenas registros. É uma mudança de mentalidade que para qualquer instituição pode fazer toda a diferença.
 

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O Elo Que Sustenta a Operação: Como o RH Pode Fortalecer o Middle Management

Gestores de primeira linha e gerentes médios ocupam uma posição pouco confortável dentro das organizações. Eles respondem por resultados definidos lá em cima, mas também precisam sustentar as situações do dia a dia das equipes lá embaixo. São eles que traduzem metas em rotina, de trabalho na prática e que absorvem o impacto de cada nova ferramenta tecnológica implementada na empresa. Esse papel de "tradutor" entre estratégia e operação exige energia constante e, quando não recebe apoio estruturado, justamente essa camada que mais adoece silenciosamente.
Neste artigo será abordado como o cuidado do RH para o middle management (gestão intermediária) merece sua devida relevância e ser vista como uma decisão estratégica.

A pressão por metas sem suporte resulta em desgaste

Cobrar resultados é parte natural da gestão. O problema surge quando a cobrança chega sem contexto, sem recursos e sem espaço para diálogo. Gerentes médios costumam repassar metas que não ajudaram a construir, o que os coloca em uma posição frágil diante das próprias equipes. O RH pode reduzir esse desgaste com a criação de momentos regulares de alinhamento semanais entre liderança sênior e média, onde metas sejam discutidas, não apenas anunciadas.

Modelos híbridos exigem regras claras, não improviso

A gestão de equipes híbridas ou presenciais recai quase sempre sobre o gestor direto, que precisa equilibrar produtividade, presença e bem-estar sem diretrizes muito específicas. Isso resulta em decisões não esclarecidas e desgaste com as equipes. Nesta situação é preciso que a equipe de RH ofereça políticas claras de trabalho híbrido, com critérios objetivos, para que o gestor aplique regras da empresa, e não regras propriamente estabelecidas, criadas na tentativa de resolver problemas sozinho.

Novas ferramentas tecnológicas pedem capacitação, não apenas acesso

Quando uma nova tecnologia é implementada, o gestor médio costuma ser o primeiro a precisar dominá-la e, ao mesmo tempo, ensinar sua equipe a usá-la. Sem o devido treinamento, essa dupla função do gestor vira fonte extra de ansiedade. Programas de capacitação bem estruturados e adequados ao tempo que a pessoa pode dedicar á isso, auxilia o gestor e o faz se sentir preparado antes de precisar preparar os outros.

Multiplicadores de cultura precisam ser cuidados primeiro

Gestores médios são, na prática, os maiores disseminadores da cultura organizacional, é por meio deles que os valores da empresa chegam (ou não) até o time. Para que cumpram esse papel de forma saudável e constante, o investimento em rodas de escuta, mentorias entre pares e canais diretos de suporte emocional e profissional é essencial. Um gestor que se sente amparado tem muito mais condições de amparar sua equipe.
Investir no middle management é investir na espinha dorsal da operação. Na EDC Group, entendemos que essas táticas de suporte claro em metas, políticas bem definidas, capacitação tecnológica real e cuidado ativo com quem multiplica a cultura da empresa, fazem diferença concreta na saúde organizacional. Tendo a realização de alinhamentos semanais da gestão com a liderança é possível compreender o quão importante é cuidar de quem sustenta, todos os dias, a ponte entre estratégia e resultado.
 

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